30 Jan 2013

Como escolher um bom advogado?

Uma das duvidas que percebemos todos os dias em nossas reuniões com novos clientes, é a questão da escolha do advogado para a defesa na Justiça. Ainda que não quiséssemos, impossível seria que este artigo não estivesse um pouco impregnado pela parcialidade.

No entanto, como as vezes nós advogados também somos clientes, creio que poderemos enumerar os critérios que nos permitem escolher o “advogado para os advogados”, ou seja, aquele que é escolhido quando os advogados também necessitam se socorrer da Justiça.

Em minha experiência pessoal, ainda antes de atuar como Advogado, percebi que nós humanos temos tendência a confiar em terceiros, e independente destes terceiros saberem, ou não, da capacitação técnica do indicado, uma indicação de advogado é aceita quase sempre de forma cega.

Ao aceitar indicações é imperioso que verifiquemos se aquele que nos indica já teve algum processo com o advogado, ou é meramente um amigo, tentando ajudar um amigo a angariar clientes.

Humildemente entendemos que apesar das emoções, e sensações envolvidas no processo, e na sensação de impotência diante de uma intimação para comparecimento em juízo, aquele que busca advogado deve agir com a razão e ponderar, buscando achar o melhor profissional para o seu caso. Para tanto, passamos a citar alguns passos:

1. Verifique o ramo do Direito que seu caso terá. Excelentes advogados trabalhistas, não são necessariamente bons advogados criminais. Assim, limitar o numero de advogados a consultar, já dentro da especialidade que seu caso requer, fatalmente tornará sua defesa processual mais segura. Lembre-se que em alguns casos, o Processo poderá se desmembrar em vários outros, em ramos diferentes, e aí caso o Advogado atue em equipe, com certeza o cliente será beneficiado, tanto no custo final, quanto na qualidade da sua representação em Juízo;

2. Caso não se sinta seguro, a opinião de outros ex-clientes pode ser valiosa, portanto não custa nada consultá-los, ou verificar se o advogado tem na Internet boas referências. Há sites de relacionamento pessoal em que os advogados são recomendados por pessoas que lhe são muito gratas pelo atendimento, e apesar de não ser uma segurança infalível, a referência de quem já usou os serviços do advogado pode ser muito interessante como ponto de partida para a sua escolha.

3. Verifique nos sites dos Tribunais se o seu advogado tem muitos processos. Muitos processos pode ser excelente, como pode ser um ponto negativo, pois o excesso de trabalho pode fazer o seu advogado entender que você é apenas mais um caso. Advogados com muitos casos, costumam trabalhar em equipe, o que facilita audiências e diligencias nos Fóruns, e a obtenção de múltiplas visões sobre um mesmo caso, portanto analise o tamanho e estrutura e veja se seu advogado pode atender suas necessidades.

4. Não confunda amizade com profissionalismo. Necessariamente seu melhor amigo não será o melhor advogado para o seu caso. É normal que as pessoas deem suas causas a amigos, ou àqueles parentes que acabaram de se formar. Aí fica uma lição para os contratantes: “Advogados inteligentes não advogam para si mesmo”, por uma simples razão de perderem a técnica em favor da emoção. Ao advogar para amigos e parentes, às vezes por termos tanto carinho pelo cliente, o nosso inconsciente nos trai e deixa a emoção falar antes que a técnica jurídica;

5. Fale com seu advogado pessoalmente. CONHEÇA-O !!! Alguns advogados tem contratos padronizados e procurações padronizadas, e equipes de estagiário para coleta de assinaturas e informações sobre cada caso. Este distanciamento além de ser proibido pela Ordem dos Advogados, é igualmente ruim para o cliente, pois se ele não consegue atendê-lo no momento de contratação, fatalmente este advogado também não o atenderá no momento de uma duvida.

6. Sente-se com o advogado e sinta se ele fala do caso com naturalidade e segurança. Ao escolher um advogado especializado, ele já deverá ter atuado em alguns casos semelhantes ao seu, e por isso deverá ter desenvoltura para falar sobre o seu caso já na primeira reunião. Ainda que alguns detalhes mereçam aprofundamento e humildade do Advogado para um estudo mais aprofundado, é primordial que ele tenha algum conhecimento global sobre a sua necessidade. Sua intuição e cautela dentro de uma reunião serena, com certeza o ajudará a escolher o seu futuro advogado.

7. Comprometimento é a palavra de ordem da advocacia. A advocacia não faz milagres, ou seja, um advogado não consegue reverter um ato ilícito, mas uma boa defesa pode, e deve, levar ao cliente ao uso da lei mais benéfica e a uma estratégia que permita atingir seus objetivos. Advogados comprometidos são normalmente vitoriosos, porque acima de tudo, eles deixam seus clientes cientes dos riscos envolvidos e buscam atuar em cada etapa processual para proteger os interesses de seus clientes.

Um outro ponto que chama atenção da contratação de qualquer prestação de serviços é a definição do custo, e honorários envolvidos. Jamais um bom advogado, permitirá que o cliente “pechinche” seus honorários. Assim, como em qualquer outra profissão, o bom profissional estabelece o valor de seus serviços de forma criteriosa, motivo pelo qual qualquer tentativa de regatear o preço, é sempre tida como uma ofensa.

Neste sentido, costumamos dizer que se o advogado não é suficientemente bom para convencê-lo de seus honorários, ele tampouco conseguirá convencer os julgadores a respeito de seu Direito, por isso ao estabelecer honorários ele deve ser sensato. Honorários abaixo do mínimo previsto na tabela de honorários da Ordem dos Advogados indicam algo raro, pois os patamares estabelecidos pela Ordem dos Advogados são os mínimos possíveis a execução de um bom atendimento.

Fique atento: Honorários abaixo do patamar estabelecido pela Ordem dos Advogados podem ser indicativo de problemas durante o curso da prestação de serviços. Sem dinheiro o advogado não terá como manter-se durante o curso do seu processo, que normalmente demora anos.Em cada Estado , a OAB realiza estudos sobre o tempo de cada tipo de ação e complexidade envolvida e determina o mínimo a manutenção do advogado.

Lembre-se bem que quem paga mal, paga duas vezes e geralmente é quase irreversível os erros de um advogado no curso de um processo, o que torna a necessidade de contratação de um outro advogado ainda mais cara.

Por outro lado, o que você pode, e deve, é estabelecer o pagamento dos honorários dentro de um fluxo que o permita pagar seu advogado sem atrasos. Advogados estruturados costumam ter suporte financeiro para adequar o fluxo dos pagamentos a necessidade dos clientes, ou seja, não é incomum você conseguir negociar a quantidade de parcelas, e as melhores datas de pagamento.

Em suma, não há uma formula mágica, mas uma boa consulta sobre os casos em que um advogado trabalhou, uma consulta do nome do mesmo na Internet e com os clientes que ele atendeu, aliados a um conhecimento jurídico relevante de um ramo do Direito específico, somado a uma estrutura condizente com a complexidade da sua causa são bons indicativos para um relacionamento Advogado X Cliente com sucesso e vitórias.

Corrêa de Souza Advogados

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